sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Saber que é sua.

Como é bom olhar uma mulher assim:
completamente nua a correr pro mar,
completamente nua os cabelos vão,
completamente nua os cabelos são,
completamente nua os seios mostrar,
completamente nua rindo, rindo, rindo,
completamente nua lindo, lindo, lindo,
completamente nua à areia voltar,
completamente nua, então, a se secar,
completamente nua a adormecer.
E sob a luz da Lua,
e sob a luz dos olhos,
até o amanhecer,
o compartilhar de corpos,
sendo um do outro,
eterno corpo a corpo,
corpos misteriosos,
enfim o são
sendo um do outro,
eterno boca a boca,
corpos sempre prontos
ao embate, então,
desde o início,
ó mundo
até o fim de tudo,
dois corpos formam
o que podemos
chamar, ó mundo,
de somente um.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

QUEM SOMOS NÓS?

Somos a SOMA de nossas lembranças e experiências!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

A um amigo que nunca mais vi.

Cara,
faz tempo que não nos vemos,
nunca mais nos encontramos.
Lembra de quando nos conhecemos,
de cara quisemos ser amigos -
na verdade nunca deixamos -
sempre a tagarelarmos sobre o mundo,
um tanto incompreendidos,
sempre a discutirmos sobre livros,
um tanto barrigudos,
sempre a dissecarmos teorias,
um tanto bichos-grilo,
sempre dispostos a não dar fim,
um tanto afortunados,
o que sempre nos consideramos,
por termos encontrado
o complemento no outro, cheios de esquisitices,
o complemento no um, cheio de rabugices,
ao fato de dar fim ao que chamamos de amigos sem fim.
Sempre gostamos de nos ver e de rir muito juntos,
talvez quando já sejamos defuntos
é que voltemos a compreender,
o bem que fazia a recíproca companhia,
um do outro e o outro de um.
Então, daqui vai um oi, e aí, como vai?
Não sei se sabes, mas já sou pai, perdi cabelos, aliás, muitos cabelos,
A calva ilumina os passos da saudade que tenho de nós,
das brincadeiras, dos discursos, das fórmulas de química,
da amizade que gostaria de voltar a ter,
do violino que tocavas enquanto ao piano eu delirava
da hora bestial em que cada um para sua casa ía,
e das manhãs que se repetiam
enquanto um e outro ao telefone combinavam:
o que vamos fazer neste dia?
Então, respirávamos e numa frase só repetíamos:
O que fizemos ontem, faremos amanhã.
Vamos jogar bola hoje.
Ser feliz é hoje!
Amanhã é amanhã!

Deixa assim, não mexe não!

Menina Crespa,
Menina Vespa,
Menina Fresca.

Deixa assim, não mexe não!
Deixa assim, não mexe não!

Revoltado, emaranhado,
todo solto, tresloucado.

Então, não sabe da moda que proclamam?

Ser lisa é que é bom.
Ser lisa é ser normal.
Ser lisa é ter amigos.
Ser lisa é natural!

Deixa assim, não mexe não!
Deixa assim, não mexe não!

Então, não sabe o que falam de teu cabelo?

Não? Eu sei.

É pura dor de cotovelo!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

O encaixe perfeito!

O melhor encaixe
nem é o que rasga a blusa,
que nos lambuza,
que nos faz animais,
que nos faz querer sempre mais,
que nos faz gritar,
que nos faz, de vários modos,
E - N - C - A - I - X - A - R - !

O melhor encaixe
é quando nos encaixamos
durante um beijo,
apenas com o olhar!

Bolinho, Bolinho Faceiro

Que as sogras são venenosas, disso não tenho a menor dúvida!
Que são engraçadas e malvadas, também!
Contudo, é preciso algo, de vez em quando, para despertar-lhes o bom sentimento, a boa recíproca familiar. Em Tereza, minha sogra, encontrei a melhor das cozinheiras, mesmo que tente esconder os bolinhos que faz, bem como a magnífica torta de maçã - o verdadeiro Appfelstrudel, uma combinação harmoniosa de maçã vermelha com canela da Malásia.

Bolinho, bolinho faceiro.
Quando chegas é assim que eu fico:
sorridente, boquiaberto, festeiro.
Não que eu seja babão.
O fato é que gosto da tua companhia,
do aroma da tua farinha,
da tua feitura de coração.
É claro que muitas vezes te escondem
e quando penso que estás, não estás.
Então, procuro atrás do fogão.
Choro baixinho porque não te encontro,
pareço criança fazendo beicinho,
pareço criança, menino chorão.
Até que apareces, assim, de repente.
Sobre as mãos daquela que te criou.
Oxalá, sejas bem grande, sobre para todos,
são várias as possibilidades
e mesmo que ajas por um ato de caridade,
seja feita a tua vontade.
Apenas duas certezas sempre as tenho:
é que nunca és insosso ou ruim.
E de fatia em fatia te recebo,
seja de cenoura, de chocolate,
de nozes ou de amendoim.